Querem vender-me um sonho. Desses pré-fabricados, desses tipos populares. Aquele que todo mundo sonha. Aquele que envolve um bom emprego, um casamento, filhos e uma vida social falsamente agitada. Eu recuso a oferta, mas me dizem que é irrecusável. Me colocam numa prisão alegando que estão me preparando para a vida, me preparando para o mercado de trabalho. Vendem-me no mercado, como se eu fosse um produto moldado ao gosto do cliente... E sou. Ou tentam fazer com que eu seja. Nessa prisão me ensinam teorias ultrapassadas, me ensinam a cobrar direito que na prática nunca serão me dados, me ensinam a como me comportar e como controlar o comportamento das pessoas. Tento fugir, mas não consigo. As barreiras são altas e os supervisores vigilantes e impiedosos. Penso em tudo o que me espera lá fora, mas a vontade de sair, na verdade, me faz ficar. O medo do desconhecido me faz ver a beleza no que já tenho, me deixa conformado com o que já é meu. Apenas penso. Sorrio quando me imagino fora daqueles muros, penso quanto tempo falta para ganhar a liberdade. Três anos? Dois anos e meio? Me mostram um modelo de pessoa que não sou eu, querem instalar em mim vontades e desejos que não são meus. Procuro uma saída, mas a única que eu vejo não é a que eu quero. Corro, é tudo o que eu posso fazer.
0 comentários:
Postar um comentário