Por Onde Some o Preconceito?

sábado, 7 de agosto de 2010

http://www.bicodocorvo.com.br/wp-content/uploads/2009/04/preconceito-racial-3.jpgO preconceito está morrendo”. Essa é uma frase que escutamos muito por ai na televisão, na Internet e em outros meios de comunicação (não necessariamente com essas palavras), mas eu me pergunto: está mesmo? Quem está morrendo é o preconceito ou as pessoas preconceituosas? De onde nasce o preconceito? O QUE É O PRÉ-CONCEITO? Não entendeu, eu explico o meu ponto de vista, que como ponto de vista, não tem nenhum embasamento histórico nem científico, novamente sou uma leiga aqui, (não me julgue não não estou te julgando)!

Preconceito é, como se deduz, uma conclusão precipitada sobre o caráter & ou personalidade de uma pessoa em particular ou de um grupo delas. Creio que não preciso aqui me aprofundar muito sobre tipos e consequências do preconceitos porque nós, seres pensantes (pelo menos eu acredito que sejamos) e livres desse mal (ou não), sabemos exatamente todos esses detalhes. A questão é, de onde nasce o preconceito? É inato ou se desenvolve dentro da gente? Sendo produto de experiências passadas, que tipo de comportamentos dos pais ou círculo de convívio fazem com que “nasça” esse sentimento?
Eu já tive? Você já teve?

É aqui que começa a minha teoria, por que das duas uma: ou a gente é ou se torna preconceituoso. Na psicologia
há o que é chamado de personalidade primária. Personalidade primária é um conjunto de características do ser humano que são adquiridas durante a primeira infância e que dificilmente são mudadas no decorrer da vida até a morte do indivíduo. Isso seria o que eu chamo de se tornar preconceituoso. Porém, se a pessoa simplesmente é, ela já nasce com essa característica e fica com ela para o resto da vida, pois também é muito, ou quase impossível, modificá-la. Sendo difícil, de qualquer uma das origens modificar o preconceito eu me pergunto se ele está mesmo morrendo e me acho no direito de eu mesmo me responder: não, ele não morre.

Pensem comigo. Antigamente, na época dos imperadores, homossexualismo era natural. Sim, em épocas remotas as mulheres eram vistas apenas como o caminho para a proliferação da espécie, literalmente usadas com fins reprodutivos apenas. Sexo por diversão, para o simples ato de relaxamento fazia-se com outro homem e assim seguia a humanidade. Não falo na idade da pedra, mas sim na época dos imperadores. Então o que fez com que homens se tornassem preconceituosos assim como as mulheres também. Eu digo que foi a igreja, pelo pouco de história que sei, me parece muito coisa dessa instituição. Então imaginem: a igreja chega com toda a história do criacionismo, jardim do Éden, Adão, Eva e zaz. Preconceito. Não estou dizendo aqui se sou contra ou a favor disso ou daquilo, até porque se fosse falar da igreja teria que ser em outro texto. Enfim, quando chega a igreja o cristianismo acaba tomando conta do mundo, principalmente da América (porque, como todos sabem, a maioria da Europa é protestante) e o sentimento de fobia à homossexualidade, como sendo do não agrado de Deus. O fato é que a igreja hoje perde cada vez mais seguidores e se vê num impasse entre a manutenção dos seus preconceitos e a adaptação ao novo mundo.


O ponto que se deve levar do parágrafo anterior é por onde penetrou o germe do preconceito, esse ser que contaminou tão rapidamente a comunidade mundial. Hoje temos lutas contra o preconceito, paradas de orgulho gay que atraem homossexuais (e simpatizantes) de todos os lugares e vários outros movimentos de campanha para o não preconceito contra os homossexuais. Não tiro o mérito da luta dessas pessoas, porque, sim, elas têm um grande mérito na produção da nova geração, mas o fim do preconceito está com o tempo. Sim, esse tal tempo que a gente daria tudo para poder controlá-lo.


Em escala mundial eu acredito sim que o preconceito está sendo vencido, mas em escala individual eu já não acredito tanto. Como eu disse no começo, ou a gente é ou se torna preconceituoso, ambas as características estão em áreas da personalidade que são dificilmente modificadas ao longo da vida. O que o tempo tem a ver com isso? As pessoas morrem e com elas morrem os seus preconceitos e as suas fobias, no lugar dela ficam outras pessoas mais jovens, que envelhecerão e que um dia será a grande massa idosa do planeta. Captou? Não? Vamos lá. Um avô, um pai e um filho. O avô, com os seus oitenta e tantos anos, não suporta nem falar sobre homossexualismo. O pai, não concorda, mas diz que aceita a opção sexualmente diferente das outras pessoas. O filho, guri com seus quatorze/quinze anos aceita numa boa, não tem nenhum preconceito e conhece vários gays. Acontece que há vários avôs desse tipo, vários pais desse tipo e vários guris desse tipo. Os avôs morrem e os pais tomam o lugar dos avôs e os guris se tornam pais. A sociedade, conseqüentemente, fica um pouco menos preconceituosa. Os pais, agora avôs, morrem e os guris, agora pais, viram avôs e a sociedade passa a uma situação de não preconceito aparente. O que quero mostrar aqui é que o preconceito em escala pessoal não pode ser retirado enquanto ainda estiver viva, o que acontece é um processo evolutivo natural da sociedade com o falecimento do preconceito junto com os seus donos.


Se você prestou bem atenção, há uma contradição na minha teoria e eu admito. Se podemos nos tornar preconceituoso por conta dos nossos pais, avós e afins, por que no meu exemplo pessoas da mesma família vão perdendo o preconceito mesmo estando no companhia das outras? A personalidade das pessoas não é totalmente formada pela família e sim pela sociedade em que estamos inseridos, a escola, os amigos, os vizinhos. Todo o convívio na primeira infância por mínimo que seja influencia na personalidade de cada indivíduo da sociedade.

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