Maria

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Maria era uma menina tímida e, como tímida, ficava sempre em um canto sentada na sua sala de primeira série. Brincava quando era chamada, mas mesmo assim não brincava 100%. De vez em quando nem era chamada. Aos 10 anos mentiu para a mãe e obteve a primeira grande decepção da sua vida. Aos 10 anos aprendeu que mãe tem sempre razão. Mudou de escola, para uma maior e maior foi a sua solidão. Conheceu pessoas que já não fala mais, conheceu pessoas que levará para a vida toda e conheceu a si mesma como uma pessoa fracassada. No primeiro ano de ensino médio tomou a maior mudança que já tomara na vida: mudou de colégio nos 45 minutos do segundo tempo. Uma das melhores e piores mudanças de sua vida. Talvez a única que tenha pesado tanto nos dois lados. Entrou no curso certo (na época) no lugar errado. Depois entrou no curso errado no lugar certo e percebeu que as mães nem sempre tem razão. Coletou decepções e angústias, introjetou conceitos distorcidos e decepções, absorveu críticas a si mesma como verdades absolutas e se escondeu em um mundo só seu. Hoje segue a vida que não pediu a ninguém, muito menos a Deus, mas foi a vida que construiu durante a sua caminhada. Conformada, Maria sofre de depressões momentâneas e pensamentos socialmente reprovados rezando para que leitura de mente seja uma tecnologia que nunca venha a se concretizar. Tão covarde, se esconde atrás de um blog, atrás de um personagem fictício que não serve para nada além de concretizar o que realizou a vida toda: fugir da realidade por medo, puro medo. Medo de não se aceita, medo de ser rejeitada. Hoje vive num mundo só seu, tão seu que ninguém nunca o visitou.

0 comentários:

Postar um comentário