# Sonolência
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Tudo passa tão depressa e nada do que eu tinha que fazer está feito.
Tudo está pendente. Pendurados por uma corda incerta que a qualquer
momento pode arrebentar, derrubar tudo no chão, fazer meu mundo
desmoronar. E o pior? O pior é que não tenho nenhum controle sobre elas,
as cordas. Nenhum controle sobre ele, o tempo. Nenhum controle sobre
nada, nem sobre a minha própria vida. Tudo balança na menor ameaça de
ventania, não quero nem pensar se por aqui passasse furacão. Um trapézio
da minha própria vida, num balanço infinito e involuntário. Na ida
prazeres incontáveis, na volta desejos insaciáveis. Uma mistura de bom e
ruim, prazer e angustia. Depressão. Me pego no meio do furacão. Sim,
por aqui chegaram esses avassaladores fenômenos. Um dia me disseram que
por aqui não havia esses tipos, mas parece que eles desviaram a rota e
estão passando por aqui. Tudo lá fora fica no lugar. Tudo aqui dentro
vira de cabeça para baixo. Jogados em cada canto da minha cabeça, alguns
até descem pro estômago e incomodam por algum tempo até dissolverem no
suco ácido do local. Todo o controle que um dia eu achei que tinha
dissolvendo-se junto com eles. A vida... Tão bonita. Passa. E o sono...
Tão forte. Insiste em ficar e me atrasar.
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