A Luta de ... Ninguém!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Correr contra o tempo, correr a procura do que não sabe. Guerreiro sem causa na guerra dos outros, jogado no meio do campo de batalha como mais uma peça solta que procura o seu encaixe e talvez nunca o ache. Uma causa pela qual lutar? um sonho pelo qual seguir? Que Nada. É como nadar num oceano sem nunca encontrar a praia, nem mesmo para morrer. Segue as regras preescritas dos outros, tentando fazer as próprias. Questiona a tudo e a todos, mas não consegue ser ouvido, fala baixo demais, é tímido. Com a arma na mão, anda em posição de ataque, pronto para entrar em conflito com o primeiro que encara-lo, mas ninguém parece percebê-lo. No meio de bombas, tiros, barulhos ensurdecedores e poeira ninguém consegue vê-lo por mais que tente chamar a atenção. Não tem sinalizador, não tem lanterna de qualquer cor e ele se senta. Senta no chão árido, sensação térmica de 40°, olha para os lados e encontra um espelho. Um espelho? “Pega-o, menino, pega-o”, fala uma voz que vem dele mesmo. Já não tem a mobilidade que se lembrava ter, todos os alongamentos pareciam não ter mais efeito. Conseguiu pegar com dificuldade e olhou. Viu alguém diferente, alguém que não era ele, alguém com marcas de tempo, rugas de preocupação e um passado vazio, sem muitos feitos. Alguém que ele não queria que fosse ele. Mas era. Choro. Decepção. Raiva.

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